Pingente de Gelo

Capturando flocos de neve

 

Criança curiosa sorriu quando o inverno chegou.

E com ele, trouxe a neve até então desconhecida.

Armou-se de lã em gorro e armadura e saiu.

Olhou pro alto, branco e lindo céu,

De onde pingentes de gelo caiam.

Estendeu a língua e realizou seu sonho:

Provar o sabor dos flocos de neve.

 

Os pingentes de gelo não tinham bom gosto,

Eram apenas água congelada  e fina

E ela percebeu que a beleza estava em assistir,

Não em provar.

 

A expectativa criara nela outro gosto,

E aquele a decepcionou.

 

Tentou se mover, o frio castigava

Mas era tarde, a neve já cobria seus pés

E os prendia no chão.

 

Chorou tal qual criança assustada

E descobriu que certos encantos não se deve quebrar.

Quase sem querer ♫

Faz um belo tempo que não apareço por aqui… Mas enfim, como dito no post inaugural do blog, aqui é meu pouso fixo. E para firmar isso, importei do Blogspot uns textos que escrevi e que estavam abandonados lá, mas resgatei e os trouxe para casa, para não “morrerem de frio”.

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Hum, descobri algo interessante nas aulas da faculdade… Sempre me despertam idéias para discussões, comentários, textos interessantes… Mas basta colocar os pés para dentro de casa e sentar no computador para perderem todo o sentido, toda a “utilidade pública” e acabo por esquecê-las… É meio frustrante, mas sinal que não era para ser escrito, né? Mas enfim.

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Hoje estou meio adolescente, postando sobre algo inútil para meus leitores, mas tudo bem, todo mundo faz isso, vez ou outra na vida, não? Mas antes que ache que esta foi uma leitura “perda total”, desça um pouco mais os olhos e veja o que resgatei… Uma frase que escrevi há algum tempo e ainda agora ela faz todo o sentido:

“Quando escrevo, não penso nem sou… Apenas sinto.”

(B. Caroline)

Começo.

Não é novidade que eu gosto de blogs… Que tenho vários deles, alguns bem cuidados, outros esquecidos. Como se fossem propriedades espalhadas pela cidade, estado, país ou pelo mundo. Não preciso estar sempre presente em todos eles para que se faça entender que pertencem a mim. E ao mesmo tempo, estão lá, disponíveis a quem quiser ver, visitar. Basta pegar as chaves comigo. Ou neste caso, os links. Mas chega de abstrações pobremente metafóricas e vamos ao que interessa.

Este blog será meio que a minha morada permanente. Mas como toda pessoa no mundo, eu não estarei por aqui alguns dias, viajarei em outros e em tantos outros posso simplesmente não escrever para que ninguém saiba que estou aqui. Mas é aqui a que pertenço.

Olha, eu sou só uma pessoa. Mas eu adoro mesmo escrever… E sobre todas as coisas, em qualquer gênero estilístico, literário ou sexual. Enfim. Eu acho que pode me fazer bem essa nova casa…Mesmo que eu tenha tantas outras para cuidar. É isso, minha mudança para cá começa hoje.

Eu sou Bruna Caroline e espero que

Sejam bem-vindos!

Abstrações de uma criança.

Foto por ~blyef
(Post de segunda-feira, 27 Set , 2010, 5:12 AM original do deviantart de ~blyef )
Mais um dia começando e eu encerrando mais um ciclo. 

É estranho…

Quando me vejo escrevendo, é algo completamente banal, assim como quando fotografo ou desenho… E então, acontece como que por passe de mágica: Tudo se renova. A leitura é diferente, as cores capturadas ou os traços no papel. Eu paro, penso e concluo: Isto não pode ter sido eu. Mas foi. Vindo de algum cantinho lá no fundo, esse “eu” tão intrigante se revela. Parece que tem queda pela criação. E pela reprodução. É possível notar, nos cliques fotográficos, a carga emocional do momento. É como voltar no tempo sem que notem que estive ausente. Mas estive. E quando volto, o que vejo é isso. Palavras costuradas banalmente com algum sentido “a mais” depois da primeira leitura. Talvez seja porque tenho mania de esquecer rápido as coisas. É, talvez…

Hoje foram cores… Logo logo, a aparente ausência delas…

Como seriam as fotos se as cores dormissem?

Onde começa o bicho no homem e o homem no bicho?


 

imagem por Wolf-Spirit89

Sentimentos existem. É inconcebível dizer que são apenas criações da mente humana. Se assim fosse, animais não sentiriam. E eu bem acredito que eles sentem, talvez mais do que o próprio ser humano…
Pense nos animais… Selvagens ou domésticos… Eles conhecem o sentimento. Sentimentos até então… Humanos. A dor da perda, amor e até rancor eles guardam. Por mais que esse último ocorra de forma inocente (ou não). Esses sentimentos, porém, os animais não aprenderam conosco. Talvez até tenham eles nos ensinado a sentir…
Quem nunca viu a fidelidade de um cão para com o seu companheiro? Porque nós, humanos, não somos, em hipótese alguma, donos dos cãezinhos… Ou gatos, ou qualquer outro animal. Somos, para eles, amigos, companheiros.
Um cão ou gato jamais acompanhará uma pessoa maldosa por vontade própria. Ou gostará de pessoas que os maltratam. Jamais. Acompanham por obrigação, jamais por amor, fidelidade. Percebe-se, porém, que essa regra se estende para além dos animais domésticos.
Quantos animais selvagens já não se aproximaram de pessoas que julgaram boas? Ou atacaram pessoas que, de algum modo, julgaram más?
Diversas vezes.
Animais selvagens protegem seus semelhantes contra os outros animais ou contra o ser humano. Eles cuidam de suas ninhadas, criam seus filhotes e os preparam para o mundo, para a vida. E eles não aprenderam nada disso conosco.
Então por que sentimos necessidade de sacrificar animais porque atacaram um ser humano? Para mostrar quem é que manda? O animal não ataca porque quer… Ou ele está defendendo algo valioso para ele, ou possui algum rancor contra quem atacou… Ou contra o seu dono, que, de algum modo, lembra a pessoa que ele atacou. Sim, animais guardam rancor. E eles não selecionam suas vítimas baseando-se apenas num instinto selvagem e vingativo, tido como natural da espécie… Não. Eles sabem exatamente porque atacaram. Talvez isso seja sempre um mistério para nós, tal como o somos para eles.
Os animais, quando perdem alguém do bando onde vivem ou, até mesmo animais domésticos que perdem o amigo, sentem. Eles se entristecem, assim como nós. Ou melhor, diferente. Eles demonstram seus sentimentos de forma cristalina, ficando visivelmente abatidos, demonstrando sua dor. Alguns, de tão ligados ao amigo perdido, acabam partindo junto na incapacidade de superar, de suportar o vazio. Outros, buscam em seus companheiros próximos algum conforto, seguindo em frente, mas nunca deixando para trás a lembrança do que se foi.
Infelizmente, não conseguimos desvendar essa intensidade de sentimentos nos animais, embora eu, particularmente, desejasse. Mas não foram poucas as vezes em que me deparei com uma mostra tão extrema de sentimentos por parte dos animais… E me pergunto:
Quem aprendeu a sentir com quem, afinal?
E a resposta é óbvia:
Aprendemos muito com eles… E se prestarmos mais atenção ao nosso redor, temos muito mais a aprender, mas não sei se, com a forma que temos agido com a natureza e nossos semelhantes, eles pretendem nos ensinar mais…

Metáfora e morte, o tudo é uma coisa só?

 

imagem por angelandluci

 

Dizem que morrer é fácil. Deve ser. Você para de respirar, seu coração deixa de bater e você aparentemente não vive mais.
Mas e se isso for superficial demais? E se essa for a morte que a ciência acredita existir? E o que realmente predomina em nós enquanto vivos?
Acho que todos que perdem alguém, perguntam-se: como é morrer. Depende.
Em paz ou em guerra? Com dor ou sem dor? Culpado ou inocente?
Você escolhe. Quase sempre. Uma vez perdi um amigo. Um irmão. E, sobretudo, um grande pai. E eu pensava:
Como deve ser morrer? Não sentir mais dor, não chorar mais, só sorrir…?”
E se não for realmente assim?
Ainda hoje, me pergunto se há um vazio sublime que leva o peso do nosso corpo para longe, e predomina a paz. Ou se é o breu. O breu pesado e frio como um manto de horrores. Ainda não sei… Mas penso a respeito.
Penso que a morte do corpo é só uma metáfora. É como viver dentro de uma máquina. Você recarrega a bateria sempre, mas um dia a carga não vai mais funcionar. Tudo tem um prazo de vida útil. Alguns trocam a bateria, e tudo volta a funcionar normalmente, tudo novo de novo. Mas às vezes, nem mesmo trocando a bateria, você escapa. Às vezes ela simplesmente não é compatível. E daí a sua máquina desliga. Qual é… Nem sempre é tão doloroso, por mais apegado que você seja ao seu recipiente… Alguns se apegam na casa, no carro, num presente antigo de alguém especial… Mas todos, sem exceção, são apegados aos seus corpos. Suas máquinas. Ou como preferirem chamar agora. E o desligamento às vezes ocorre antes do prazo, assim pensam. Alguns acham isso injusto, mas tudo tem explicação. Lógica ou não.
Acredito que o desligamento da máquina seja benéfico. Você está se desprendendo de um peso que te segura em um lugar onde você não funciona mais.
Se você não se encaixa mais, pra que querer voltar para sua máquina depois de desligada?
Não faz sentido. Ainda me pergunto se meu pai abandonou a máquina dele de boa vontade. Não me perguntei se ele sentiu paz. A máquina dele denunciava isso. Os que ficaram, aqueles que ainda ocupam suas máquinas sofrem por ele.
Mas e se tudo for verdade?
Então pode-se acreditar que ele está melhor que nós… Ele não me parecia ter assuntos inacabados, embora sua máquina tenha sido desligada, para nós, muito antes do prazo. Mas cada máquina tem seu próprio prazo. E ninguém, nem mesmo a ciência, pode dizer qual é.
Elevar-se da máquina é uma metáfora bonita. Eu espero estar bem consciente quando acontecer comigo. Não que eu tenha pressa. Mas quando chegar a hora, será fácil saber. Ainda que todos duvidem. Acredito que, até os que tentam desligar as próprias máquinas na verdade não o fazem. Eles apenas mexem no lugar certo na hora certa. Acabam sincronizados com o relógio temporal da máquina deles. Sim, talvez eu esteja admitindo que o suicídio seja uma fraude. Uma máscara. Talvez não, estou.
Às vezes até um amendoim pode dar defeito e desligar a máquina. Nunca se sabe, até realmente saber.
Eu gosto de metáforas. E acho que a morte é uma delas. Eu desconheço o significado em latim para a palavra morte. Sei que grafa-se mortis. O termo ainda é muito utilizado por legistas em autópsias: causa mortis. Em outras palavras, o que contribuiu para o desligamento de determinada máquina. É isso aí. Morte é só uma alegoria. Tal como essa que uso da máquina. É só uma desculpa para você desvestir a pele que habita e ser realmente livre.
Aliás, falando em pele, seres humanos se acham o máximo por tantos séculos que já duvidam que sejam animais. Alguns, ainda, acreditam que ser comparado a animal está relacionado a ter uma natureza brutal, de comportamento hediondo. Até selvagem e animais virou sinônimo de monstro, de assassino, de pessoas ruins, de má índole e mau coração. Alguns levam a comparação a sério e dizem estar “abraçando” seu lado animal quando fazem algo errado: agi por impulso. A polícia ainda cai e manda o fulano para o hospital psiquiátrico.
Sabe, abracei sim, meu eu animal. Meu eu puro de coração, inocente, não feroz. Meu eu livre, não cruel. Meu eu feliz, não um monstro. Abracei a denominação que a ciência nos deu: reino > animal. É a esse reino que pertencemos e animais é o que somos. Embora me envergonhe comparar os humanos a animais. Somos uma vergonha para os nossos iguais, embora diferentes, irmãos.
Seres humanos são afetadinhos, se acham donos do mundo. Eles não veem que essa máquina é só uma roupa para cobrir a nossa nudez?
Alguns fecham os olhos para isso. Outros, de se acharem superiores, tentam fazer da religião um deus.
Mas e o Criador? E o mundo e tudo o que nele há?
Não somos nós somente que desvestimos nossas peles. Os outros animais também o fazem. E talvez permaneça em segredo, deles pra nós e de nós para eles para sempre a respeito dos nossos espíritos.
Ainda acredito que a morte é uma metáfora. Uma deliciosa alegoria. Uma viagem.
E a vida?
Depende. Para alguns, um aprendizado. Para outros, uma breve visita, saber se aqui ainda merece espíritos bons.
Para a maioria?
Danação na certa. É… Nascer é uma ironia e tanto. Alguns nasceram para se tornarem melhores. Outros, estavam extraviados, então mandaram pra reciclagem. Vai entender…
No fim das contas, eu não acredito no fim do mundo. Acredito que, quando a máquina de alguém desliga, então é aquele o dia do juízo para ele. Eu não acredito no inferno e no céu como um coletivo. Ninguém te escolhe em meio a tantos como num jogo de queimada:
Você queima no inferno; você ganha asinhas pro céu; você… tô indeciso quanto a você, volte para a Terra
Não. Acredito no inferno particular.
Por que todo mundo acha que o inferno é quente e o diabo é vermelho? Ou que ele existe tal como pintamos? Chifrudo, com rabo e tridente?
Acredito também no paraíso, céu, heaven, cielo, sky, como preferir chamar. Mas acredito que, para cada um, ele seja único. Isso não significa que você passará a eternidade condenado à solidão. Muitas pessoas sonham com um lugar como o seu. E então todas provavelmente irão pra ele, se merecerem. O inferno, eu acredito que seja uma repetição de tudo o que nos feriu e nos fez mal aqui. Um eterno repeat dos piores momentos de nossas vidas. Ou um replay da hora da morte. Morra quantas vezes quiser, que vai ser eterno.
Por que Jesus barbudo parecido com Jim Caviezel e diabo vermelho e com tridente? Maçã fruto do pecado e mulher amante da serpente?
Eu acreditava na versão da bíblia para o sofrimento da mulher. Mas, somos animais. Por causa da mulher retirada das costelas de um homem os outros animais também tiveram que pagar?
Parece loucura alguém como eu questionar isso. Talvez seja. Mas eu já vi cadelas dando à luz. É oito vezes mais doloroso. E que pecado a fêmea do cachorro cometeu para sofrer de dor no parto e menstruar de seis em seis meses?
Ah, desculpe, menstruar é para as humanas, animais ficam no cio. Tudo a mesma coisa.
E a égua? A vaca? Que não vê a galinha chorar quando bota um ovo?
Ou talvez ela só goste de exibir para as amigas que botou um ovo quando cacareja de modo diferente. São tantas perguntas que os humanos tentaram e nunca souberam responder…
O que dizer de algumas mulheres que não sentem dores ou enjoo durante a gravidez, ou cólicas mensais?
Nada. Elas se cuidam melhor, só isso. Assim como os outros animais. Perceba, quanto menos sedentário é o animal, menos sofre no parto. Sem exceção. Ou então toda fêmea comeu da maçã. Aliás…
Por que maçã mesmo?

De mentiras e devaneios

imagem por geronimo89

Desconheço a existência da poeticidade. Desconheço as rimas e a capacidade do lirismo em vidas regadas à métricas versadas e estróficas. Desconheço até mesmo o que é poesia. Mas peço licença aos poetas, porque até mesmo os não versados nessa arte tem o direito de se expressar. Deixe-me prosear um pouco. Não há mal algum, eu acho.

Gosto dos campos vastos e rasteiros de tapetes verdes sob a luz da lua. Dispenso a vivacidade dos dias ensolarados. Gosto mesmo é da luz pálida e fria que traz brisa e aconchego mesmo sob o manto noturno escuro e sombrio. Gosto da infelicidade que gera a solidão. Gosto da companhia da noite e nada além. Sons emudecem e a vida se recolhe, adormece. Somente eu e noite, egoistas. Nos limitamos a conversar com não-palavras, não-rimas e não-sons tempo adentro.
Penso que cenários como praças, estrelas e luz da lua são perfeitos para poetas criarem. Mas não para mim. Não. Sinto a perfeição nas mortes frias em valas sujas. Não, é ser cruel demais pensar assim. Mas uma elegia à morte até que cairia bem. Ela, que é tão fria e sorrateira. Merecia alguma poesia também, não? Mas enfim.
Penso em mentiras que nunca contei. Em estórias que nunca pensei. Em inexistências que fervilham em minha mente durante a noite e me abandonam pela manhã como se nunca estivessem existido. E não existiram.
Penso no quão chato é sentir a sensação de vazio. Sentir-se Deus capaz de criar e, no segundo seguinte, inútil. Forçar-se a ser o que não é, a escrever o que não sente. É o mesmo que mentir olhando nos olhos do seu reflexo no espelho.
Inverdades. Inverdades que pululam frenéticas na alma humana, como pulgas infestantes num colchão de detento. Somos o colchão. As mentiras são as pulgas que, famintas, corroem o colchão, fragilizando-o, fazendo com que se perca o conforto pouco a pouco. As mentiras que contamos. Comem a nossa alma aos poucos, as mentiras. São mordiscadas quase imperceptíveis. E então nos deixamos tomar. Nos tornamos escravos delas.E depois, vítimas.
Penso se não seria a morte também uma mentira. Uma mentira bem contada, mas mentira. Um sumiço temporário, um pique-esconde de corpos em putrefação para que as almas fujam, não seria isso a morte? Desencarnar-se não é morrer. É despir uma casca que obteve por empréstimo. Mas você continua lá, não? Por aí? Se escondendo dos que insistem em te encontrar na forma daquela casca vazia… E você provavelmente já esbarrou neles tantas vezes… Mas ignoram. Ignoram seu verdadeiro eu. Para eles, sua casca gritava mais alto. Materialistas, mentirosos.
Nota como os falsos poetas prezam a beleza da casca? Como fazem elegias à ocorrencias puramente estéticas? Como quase já não glorificam a morte em si?
Elegia perdeu seu real significado. Como muitas outras verdades. Isso se deve a falsidade da existência humana, bandos de colchões de pulgas. Quanto menos esterilizados forem nossos corações e almas, mais propensos seremos às traições e mentiras. Somos crias puras do mundanismo.
Já não se fazem sonhadores como antigamente. Não. Agora todo mentiroso se acredita sonhador. Meus pêsames aos poetas, escritores e criadores de sonhos e fantasias. Já não se fazem pensamentos como antigamente também. Acreditam que os sonhos são frutos de mentira. Acreditam que mentiras nada mais são que sonhos mal contados. Mas a verdade é que os sonhos, há muito tempo atrás, nasciam dos mais puros corações. Eram fecundados em outro plano e colocados, adormecidos, em nós. E então, de acordo com nossos corações, escolhiam quando e como se manifestariam. Porque os sonhos existem para serem realizados, não contados como mentiras que nunca foram.
Percebi que a noite encerra segredos… Mentiras, sonhos, realidades, mortes. A noite encerra de tudo. É dona do manto escuro. A noite é sábia e por isso gosto dela, da sua companhia. As incertezas e as inexistências se tornam palpáveis por meros segundos antes de sumirem na névoa. Gosto de quando acontece.
Só a noite o tempo diminui a velocidade e me permite registrar ocorrências surreais da sua passagem. E eu devaneio, devaneio. Terminando em lugar algum. Lá onde comecei. Nos campos vastos e rasteiros de tapetes verdes sob a luz da lua. Onde a linha tênue entre razão e loucura se rompe e as palavras escapam, incertas, para traçarem um destino matreiro sem finalidade alguma. Ou possuindo algum segredo do universo.